domingo, 20 de fevereiro de 2011

Ladrões de Bicicletas


Desde a simplicidade do título até a terrível simplicidade do final, a produção de De Sica não é outra coisa senão a angustiante busca de uma bicicleta roubada, pelas ruas de Roma, onde existe um vertiginoso, abismal mercado de bicicletas, no mais longo e impiedoso domingo que um homem possa ter vivido.” Gabriel García Marquez

Alguém pode dizer que o segredo de um bom filme está na genialidade do roteiro, na fotografia impecável, em belíssimas interpretações ou até mesmo na perfeita comunicação de texto, som e imagem. Certamente também é isso, mas não somente isso. Talvez o segredo esteja no que não se consegue precisar, no que não necessita de explicação para capturar mais do que os olhos do espectador.

A palavra que passeia por toda a extensão de Ladrões de Bicicletas é simplicidade. Vittorio de Sica apresenta um roteiro simples que consegue ser grandiosamente belo. Poderia ser a história de qualquer italiano tentando sobreviver no pós-guerra. Melhor dizendo, poderia ser a história de qualquer trabalhador que vive tentando sustentar a família. Situar o enredo em seu contexto histórico é importante para a análise, mas o caráter atemporal da produção também nos permite voltar o foco para outro aspecto. Voltaremos a luz para algo menos amplo.
A busca incessante pela bicicleta – o meio de sustento – não se apresenta como uma corrida desesperada nem como um apelo dramático. Ladrões de Bicicletas vai tocando nas feridas devagar, tanto nos problemas referentes ao homem enquanto ser social como enquanto indivíduo. Tenho a pretensão de dizer, que há humanidade dentro da tela. Todos nós temos um pouquinho de Ladrões de Bicicletas em nosso cotidiano. Modificando um clichê, não é a vida como ela é, é a vida como ela se mostra.
As interpretações não são nem um pouco teatrais. Pelo contrário, são bastante cotidianas. Este talvez seja o motivo da beleza. Presumo que não funcionaria se essa simplicidade fosse substituída pelo perfeccionismo erudito. O filme precisa de naturalidade para contar o que deseja. As interpretações transbordam essa naturalidade. A que mais emociona, não poderia ser mais simples e natural. A atuação do garoto é de segurar para não chorar. É ele quem nos presenteia com os melhores momentos da película.
Em torno da bicicleta, a vida de um homem. Em torno da bicicleta, um homem. Em torno da bicicleta, a vida. Impossível ficar indiferente.


2 Comentários:

Alice disse...

Quero ver!

Jéssica Evelyn disse...

Alice, pede emprestado o DVD para o Artur. Que bom que ficou com vontade de ver!

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