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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Alguém disse melhor... (2)

Não sei o motivo, mas esse é o meu poema preferido do Manuel Bandeira...

Desencanto


Eu faço versos como quem chora
De desalento.. de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo de nenhum pranto.


Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.


E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca


– Eu faço versos como quem morre.

                                    Manuel Bandeira

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Alguém disse melhor...

Sabe quando você lê algo e sente que aquilo sintetiza uma parte de ti?
Quando você queria dizer, mas alguém disse melhor...

Vai-se o hoje: uma cápsula
de fria luz que volta ao teu recinto
à sua mãe sombria, renascendo.
Deixou-o agora envolto em sua linhagem.
Dia, é verdade que participei na luz?
Tempo, sou parte de tua catarata?
Areias minhas, solidões!

Se é verdade que partimos,
fomos nos consumindo
em pleno sal marinho
e a golpes de relâmpago.
Minha razão têm vivido na intempérie,
entreguei ao mar meu coração calcário.

                                                  Pablo Neruda

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

...

“A vida metropolitana é como uma permanente colisão de grupos e conluios, um contínuo fluxo e refluxo de opiniões conflititivas. (…) Todos se colocam freqüentemente em contradição consigo mesmos (…) e tudo é absurdo, mas nada é chocante, porque todos se acostumam a tudo (…) um mundo em que o bom, o mau, o belo, o feio, a verdade, a virtude, têm uma existência apenas local e limitada (…) eu começo a sentir a embriaguez a que essa vida agitada e tumultuosa me condena. Com tal quantidade de objetos desfilando diante de meus olhos, eu vou ficando aturdido. De todas as coisas que me atraem, nenhuma toca o meu coração, embora todas juntas perturbem meus sentimentos, de modo a fazer que eu esqueça o que sou e qual meu lugar. (…) vejo apenas fantasmas que rondam meus olhos e desaparecem assim que os tento agarrar”. (Jean-Jacques Rousseau, em “A Nova Heloísa”)

Sem mais. 
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